Multa por Recusa

Por Desmulta - Soluções de Trânsito

Dirigir sob influência de álcool é uma das principais causas de acidentes de trânsito no Brasil. Para combater essa prática, a Lei Seca estabelece penalidades rigorosas, e o bafômetro é a ferramenta essencial para fiscalização.


O Bafômetro e o Teste de Alcoolemia

O bafômetro, também conhecido como etilômetro, é um aparelho que mede a concentração de álcool no hálito de uma pessoa, estimando a quantidade de álcool no sangue (taxa de alcoolemia). Ele funciona analisando quimicamente ou espectroscopicamente o ar exalado dos pulmões. Para ser válido, o aparelho deve ser homologado pelo Inmetro e passar por manutenções regulares.

Como o teste é realizado:

  1. O operador prepara o aparelho e instrui o indivíduo a assoprar firmemente no bocal.
  2. O bafômetro coleta a amostra de ar e exibe o resultado.
  3. A interpretação do resultado determina a ação a ser tomada:
    • Até 0,04 mg/l: Sem penalidades (margem de erro).
    • De 0,05 mg/l a 0,33 mg/l: Infração gravíssima.
    • Igual ou superior a 0,34 mg/l: Configura crime de trânsito.

Penalidades ao Soprar o Bafômetro

Se você for parado e soprar o bafômetro, as consequências podem ser:

  • 0,05 mg/l a 0,33 mg/l de álcool:
    • Multa: R$ 2.934,70
    • Suspensão da CNH: 12 meses
  • A partir de 0,34 mg/l de álcool:
    • Multa: R$ 2.934,70
    • Suspensão da CNH: 12 meses
    • Prisão: Detenção de 6 meses a 3 anos, além da proibição de obter a habilitação novamente.

Recusa ao Bafômetro: Um Direito com Consequências

No Brasil, ninguém pode ser obrigado a produzir provas contra si mesmo, o que permite a recusa ao teste do bafômetro. Contudo, essa recusa não significa impunidade. Pelo contrário, ela configura uma infração de trânsito gravíssima, conforme o Artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Penalidades por Recusar o Bafômetro:

As penalidades para quem se recusa a realizar o teste são as mesmas de quem sopra o bafômetro e tem uma concentração de álcool entre 0,05 mg/l e 0,33 mg/l:

  • Multa: R$ 2.934,70 (valor de R$ 293,47 multiplicado por 10).
  • Suspensão do direito de dirigir: Por 12 meses.
  • Curso de reciclagem: Obrigatório para reaver a CNH.

A principal “vantagem” em recusar o bafômetro é evitar ser enquadrado como crime de trânsito, que pode levar à prisão. No entanto, se o condutor apresentar sinais visíveis de embriaguez (voz enrolada, olhos vermelhos, tontura, cheiro de bebida), mesmo com a recusa, ele pode ser preso e responder por crime de trânsito.


Reaver o Direito de Dirigir

Se você teve sua CNH suspensa, seja por soprar o bafômetro com resultado positivo ou por recusar o teste, você terá duas opções para reavê-la:

  1. Aguardar o período de suspensão e cumprir os requisitos:
    • Realizar um curso de reciclagem de 30 horas/aula (presencial ou online, dependendo do estado).
    • Ser aprovado em uma avaliação teórica com 30 questões, acertando no mínimo 21 (70% de aproveitamento).
  2. Recorrer da decisão: É possível apresentar defesa em três instâncias administrativas (defesa prévia, recurso em primeira instância e recurso em segunda instância). Caso não haja sucesso nessas etapas, pode-se recorrer na esfera judicial com o auxílio de um advogado.

Por Que a Recusa é um Assunto Polêmico?

A polêmica reside na interpretação do direito de não produzir provas contra si mesmo, garantido pela Constituição Federal. Por um tempo, houve discussões se a penalidade pela recusa seria inconstitucional. No entanto, em maio de 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a punição para quem recusa o bafômetro é constitucional, pois as consequências são de natureza administrativa de trânsito, e não criminal, a menos que haja outros sinais de embriaguez que configurem o crime.


Perguntas Frequentes

1. O que invalida uma multa da Lei Seca?

Erros no preenchimento da notificação, falhas durante a abordagem do agente ou irregularidades no bafômetro (como estar fora da data de aferição do Inmetro) podem invalidar a multa.

2. O que escrever na justificativa da multa?

O ideal é focar nos erros ou inconsistências da própria autuação, e não em justificativas pessoais. A argumentação deve ser embasada na legislação para ser consistente e válida.


É fundamental que os motoristas estejam cientes das leis de trânsito e suas consequências para garantir a segurança nas vias.

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